A rainha de Sabá

Para os judeus o Midrasch pertence ao Antigo Testamento; ele contém
interpretações e esclarecimentos, sua leitura era acrescentada à
promulgação da Escritura e fazia parte do serviço divino. Como o
Midrasch contém toda a literatura rabínica, não é de admirar ser ele
uma fonte da história da religião judaica.

Dessa compilação deriva também o segundo Targum (tradução) caldeu do
Livro de Esther. Não se pode precisar quando surgiu o "segundo
Targum", um romance histórico. Especialistas datam-no do VII século
a.C., embora os autores - fossem quem fossem - remetam-se a fontes
mais antigas, que não existem mais. No "segundo Targum" há também
descrições das viagens de Salomão, relatos do exílio dos judeus (por
volta de 597 a.C.) sob Nabucodonosor II, afirmações sobre o trono de
Salomão, bem como sobre a visita de Sabá à sua corte. Pode-se ainda
descobrir mais detalhes que no Antigo Testamento. No "segundo Targum"
o rei Salomão envia à rainha de Sabá a mensagem ameaçadora de que a
está esperando imediatamente.

A rainha leu a mensagem e ficou tão assustada que rasgou seus
preciosos vestidos, convocando seus conselheiros aos berros. Esses
homens sábios disseram: Nós não conhecemos o rei Salomão, e não nos
preocupamos com seu governo. A rainha não seguiu esse conselho.

"Ela no entanto carregou todos os navios do mar com pérolas e pedras
preciosas para presentear Salomão, e enviou-lhe ainda 6.000 meninos e
meninas que haviam nascido na mesma hora do mesmo dia do mesmo mês e
ano, todos da mesma altura e com a mesma aparência, todos vestidos com
roupas de púrpura. Ela entregou-lhe uma carta para que levassem a
Salomão, onde ela propunha, apesar de a viagem de seu país ao dele
demorar sete anos inteiros, apresentar-se a ele em três. Quando ela
chegou após o decurso desse prazo, encontrou Salomão sentado em um
aposento de vidro. Ela, entretanto, achou que ele estivesse sentado em
meio à água, e ergueu seu vestido para chegar até ele. Foi então que
ele viu que os pés dela eram recobertos de pêlos, e disse: Sua beleza
é a beleza das mulheres; seus pêlos, no entanto, são os pêlos de um
homem. Os pêlos são um ornamento para o homem, mas para a mulher uma
deformação."

Em Meca, portanto, o rei decidiu viajar ao Iêmen para ver com seus
próprios olhos os floridos jardins da rainha de Sabá. Se a viagem
tivesse sido feita pelas vias normais, a excursão sentimental teria
exigido no mínimo um mês: "Mas com a ajuda dos ventos, que ele
comandava, Salomão e sua armada venceram entre o nascer e o pôr do Sol
a distância até Canopus (uma estrela)".

Segundo as tradições, o rei bateu esse recorde com a ajuda de
demônios, ventos... e com um "meio de transporte sobrenatural". Sem
aviões, helicópteros ou pelo menos algusn econômicos balões de ar
quente, os fins de semana mensais no ninho de amor em Marib não teriam
sido possíveis... "Um meio de transporte sobrenatual?"

Salomão tinha problemas consideráveis com a senhora de seu coração!
Cronistas árabes juram por tudo o que lhes é sagrado que a rainha
tinha pernas peludas, e apresentavam essa mácula animalesca em sua
beleza como prova de sua origem extraterrena, demoníaca.
Sabá quer dizer "adorador das estrelas".

Salomão observou atentamente o florescimento do reino de Sabá. O que o
irritava acima de tudo eram as notícias que recebia a respeito das
manobras técnicas dessa rainha. Será que afinal essa senhora - como
ele mesmo- dispunha de conhecimentos secretos especiais oriundos de
seus antepassados divinos? Quando se encontraram estavam mutuamente
desconfiados, propondo enigmas um ao outro. Essa situação precária
esclareceu-se através da maravilha eterna que é o amor: Salomão ajudou
a rainha na construção do grande complexo que o povo admirava,
perplexo. Nunca havia acontecido algo assim antes. Iniciou-se a lenda
a respeito dos "gênios" e "demônios" que trabalharam na obra.

O último encontro de Salomão com a rainha de Sabá ocorreu em Tadmor
(cidade em oásis ao norte do deserto sírio), a cidade das palmeiras.
Aí o pródigo Salomão erigiu um mausoléu para seu grande amor. Não há
dados sobre sua morte, mas Muhammed al-Hasan, biógrafo do fundador
religioso Maomé, relata que Kalif Walid I (705-715 d.C.) encontrou em
Tadmor um túmulo com a seguinte inscrição:

Este é o túmulo e o esquife da piedosa Bilqis, a esposa de Salomão.

O califa mandou que se abrisse o túmulo. O sangue gelou em suas veias.
Ele ordenou que fosse novamente fechado para sempre, e fez com que se
erguesse uma edificação sobre a sepultura.
O que deixou o califa tão horrorizado?
A sepultura de Bilqis era a de um gigante!

Somos Todos Filhos Dos Deuses, Erich von Daniken
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